Como os dados mostram como usamos as ruas em Lisboa (e o que isto muda nos transportes)
Nos últimos anos, vários projetos académicos em Lisboa e noutras cidades têm tentado responder a uma pergunta simples: como é que as ruas são realmente utilizadas ao longo do dia? Não só pelos carros, mas também por peões, bicicletas, esplanadas e lazer.
Através de observação direta, questionários e ferramentas tecnológicas (sensores, análise de imagem, dados dos telemóveis), estes estudos permitem perceber quando uma rua está sobretudo ocupada por trânsito, quando é usada para andar a pé ou para estar numa esplanada. E essa informação pode ajudar a transformar o espaço público e a melhorar os transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa.
Usar o ONDEBUS para planear a viagem
O ONDEBUS ajuda a adaptar a tua viagem a obras, trânsito, eventos e alterações no espaço público. Com poucos cliques, encontras a melhor combinação entre Metro, CP, Carris e Carris Metropolitana.
Pode definir o ponto de partida e destino diretamente no planeador, com atualização dinâmica das opções de percurso.
O que é a “realocação dinâmica” das ruas?
“Realocação dinâmica” é a ideia de que a mesma rua pode ter funções diferentes ao longo do dia, por exemplo:
- Hora de ponta de manhã: prioridade ao trânsito e aos transportes públicos (faixas BUS, passagem de autocarros e bicicletas).
- Fim de tarde: mais pessoas a pé, compras e serviços de proximidade.
- Noite: esplanadas, lazer, convívio e menor volume de tráfego de atravessamento.
Se soubermos, com dados, quando e como as pessoas usam a rua, é possível redesenhar horários, faixas de rodagem, ciclovias e zonas pedonais de forma mais inteligente — em vez de aplicar a mesma solução 24 horas por dia.
Que dados estão a ser utilizados?
Os projetos de análise do espaço urbano combinam várias fontes de informação, por exemplo:
- Observação direta: equipas no terreno a registar fluxos, tempos de espera, comportamentos e barreiras (ruído, lixo, estacionamento abusivo).
- Inquéritos a moradores, comerciantes e utilizadores: perceção de segurança, conforto, poluição e qualidade do espaço público.
- Ferramentas tecnológicas: interpretação de vídeos e fotografias, sensores, dados anónimos de localização dos telemóveis.
O objetivo não é “vigiar” as pessoas, mas sim perceber padrões de utilização para que o desenho urbano e os transportes se adaptem melhor à realidade.
O que isto muda para os transportes públicos?
Quando as autarquias e as autoridades de transporte têm acesso a estas ferramentas de dados, podem:
- Identificar corredores onde faz sentido criar faixas BUS para dar prioridade aos autocarros.
- Perceber em que ruas o excesso de trânsito ou estacionamento ilegal está a atrasar as linhas.
- Avaliar se as viagens de carro continuam mais rápidas do que de autocarro e onde é preciso corrigir isso.
- Testar soluções temporárias (por exemplo, ruas partilhadas, novas ciclovias) e medir o impacto real.
Em concelhos como Loures, Lisboa ou outros da AML, estes dados podem apoiar decisões sobre novos corredores BUS, reorganização do estacionamento e medidas para tornar o transporte público mais competitivo.
Das horas de ponta ao lazer: a rua não é sempre a mesma
Um dos resultados curiosos destes estudos é perceber como a perceção das pessoas muda ao longo do dia.
- De manhã, quem vai trabalhar aceita mais poluição e trânsito, porque “faz parte do caminho”.
- Noutras horas, a mesma rua é avaliada de forma mais crítica — o lixo, o ruído e os carros em segunda fila tornam-se uma barreira.
- Ao fim do dia, muitos querem usar o espaço para estar (esplanadas, passeio, lazer), e não apenas para atravessar.
Tudo isto é importante para quem planeia a cidade: uma rua pode ser um corredor de transporte numa fase do dia e uma praça de convivência noutra.
Como estas ferramentas podem acelerar melhores decisões
Técnicos municipais apontam uma vantagem clara: ter dados preparados e visualizados em mapas e indicadores ajuda a responder mais rápido às necessidades dos munícipes.
- Menos tempo a “montar” folhas de cálculo e mais tempo a decidir onde investir.
- Capacidade de simular cenários: “Se criarmos aqui uma faixa BUS, o que acontece ao resto da rede?”
- Ferramentas que ajudam a compensar a saída de técnicos experientes, mantendo conhecimento acumulado sobre o território.
Para os transportes, isto traduz-se em corredores mais rápidos para autocarros, paragens melhor colocadas e políticas mais consistentes de prioridade ao transporte público.
Experimentar estas ideias na tua próxima viagem
Mesmo antes de todas estas mudanças chegarem ao terreno, já podes usar o ONDEBUS para:
- Comparar tempos de viagem entre carro e transportes públicos.
- Descobrir alternativas quando uma rua está em obras ou com desvio.
- Explorar rotas que aproveitam melhor Metro, CP e Carris Metropolitana.
O planeador ONDEBUS é atualizado de forma contínua e foi pensado para quem usa Lisboa, Sintra e Cascais no dia a dia.
Porque é que o OndeBUS deve falar sobre isto?
O OndeBUS não é apenas um site para ver rotas: é também um guia de mobilidade para a Grande Lisboa. Falar sobre estas ferramentas de dados e projetos académicos ajuda a:
- Explicar porque é que certas ruas mudam de função ao longo do dia.
- Perceber melhor porque há obras, corredores BUS ou novas ciclovias.
- Dar contexto quando um desvio, uma faixa BUS ou uma rua pedonal afetam a tua viagem.
- Mostrar que as decisões não são aleatórias: são baseadas em dados reais de utilização do espaço.
À medida que surgirem mais projetos deste tipo, o OndeBUS pode continuar a traduzir temas técnicos para linguagem simples, ajudando quem vive, trabalha ou visita Lisboa a entender melhor como a cidade está a ser pensada.
Este artigo inspira-se em trabalhos académicos recentes sobre análise do uso das ruas em Lisboa, que combinam observação no terreno, inquéritos e ferramentas de dados para apoiar decisões de mobilidade e espaço público.